Rosa Marques - Prisioneiros do Progresso - Entrevistada

Por Shirley M. Cavalcante ( SMC)

Rosa Marques nasceu em Portugal, na ilha da Madeira, freguesia da Camacha, onde viveu até aos dezoito anos de idade. Após o seu casamento mudou-se para Porto Santo. Preocupa-a a grande instabilidade em que o mundo se encontra e a situação precária em que muitas pessoas vivem. Gosta de ler e de tudo o que está ligado à cultura; por vezes escreve um pouco do que lhe vai na alma: sobre recordações da infância e sobre a Natureza, a quem declara um amor incondicional. Colabora com duas revistas literárias e tem participações em mais de vinte obras colectivas, em Portugal e no Brasil. Em 2016, publicou o livro de poesia «Mar em Mim» com o selo Sui Generis e lançou, recentemente, «Prisioneiros do Progresso», a sua segunda obra poética.

“Os textos que compõem «Prisioneiros do Progresso» são filhos de uma mágoa profunda. Foram escritos ao longo do tempo, como um desabafo... um grito de revolta... contra as injustiças infligidas ao ser humano... por outros seres humanos, seus semelhantes!”

 

Boa leitura!

 

Escritora Rosa Marques, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Que critérios foram utilizados para a seleção dos textos que compõem a obra «Prisioneiros do Progresso»?

Rosa Marques - Eu escrevo sobre tudo o que nos rodeia e isso abrange muitos temas; a Natureza, o mar, o amor, a amizade, as crianças e, principalmente, questões sociais, humanitárias e tecnológicas. Escrevo sobre o que está mal... sobre o que causa sofrimento e está a destruir a Humanidade. Por serem textos de cariz social e falarem de situações actuais, que infelizmente vêm-se agravando de dia para dia, eu pensei em publicá-los... inicialmente, incluindo-os num livro de poesia mais abrangente, que seria dividido em duas partes. Depois de reuni-los, e em conjunto com o meu amigo e editor Isidro Sousa, verificámos que havia textos em número suficiente para compor um livro. Dessa forma, não foi necessário criar um esquema específico. Bastou organizá-los devidamente. Ao longo do livro encontramos alguns títulos como «Que Mundo é Este?», «Que Crença é Essa?», «Humanidade em Crise», «Basta!» e «Eis o Mundo Que Temos», junto com outros textos (em menor número) que são uma mensagem de esperança e de gratidão: «Vida Breve», «O Amor Não Morre», «Bem-haja Quem Ajuda», etc.

 

Apresente-nos a obra...

Rosa Marques - «Prisioneiros do Progresso» é um conjunto de textos poéticos que expressam revolta, descontentamento, uma mágoa profunda por tudo o que está a suceder à Humanidade. A pobreza, a violência, a dor provocada pelas guerras, pelos terríveis atentados, por todas as formas de injustiça e aniquilação praticadas contra o ser humano... A forma insensível como o homem tem vindo a tratar a Terra nos últimos tempos, promovendo um desenvolvimento exagerado e sem controlo, causando desequilíbrio... danos irreversíveis no Planeta. É um progresso anómalo que desumaniza, empobrece os seres humanos, divide-os e leva-os à solidão, tornando-os materialistas e tecnológicos. A ausência de valores é uma realidade alarmante, a principal causa da actual situação de instabilidade no mundo, originando o desprezo pela vida humana, afastando o homem daquilo que o diferencia e humaniza: a sua parte espiritual. Destruindo o seu habitat, o homem do século XXI caminha a largos passos para o abismo da destruição, da anulação de si próprio... São estas as principais preocupações que reflectem os poemas deste livro.

 

O que pesou na escolha do título?

Rosa Marques - Houve a preocupação de se escolher um título que abrangesse toda a temática do livro, e até chegarmos a «Prisioneiros do Progresso» foram pensadas outras hipóteses, mas pareciam sempre incompletas... ou inadequadas. Há um texto na página 72 que se chama «Prisioneiro do Progresso», no singular, onde podemos ler: «Prisioneiro do progresso, o homem / Já não vê para além do palpável, do que é material / Sua mente está absorvida de uma forma total /Orientada para o consumismo...», e outro com o nome «Prisioneiros do Progresso», no plural, que inicia o livro e diz: «É urgente (...) reverter a situação...» e «Progresso SIM...Com equilíbrio (...) / Progresso NÃO...Quando os danos são maiores que os benefícios». A expressão «Prisioneiro do Progresso» é também referida num outro texto na página 68, onde se pode ler: «Refém das Tecnologias / Dominado por elas e por uma sede / Incontrolável de poder...», «O homem tornou-se / Um ser materialista e tecnológico...», «O homem perdeu a capacidade / De observar o belo...a NATUREZA» e «Prisioneiro do progresso...inconsciente». Depois de analisarmos as várias alternativas, concluiu-se que não havia necessidade de procurar um título apelativo e abrangente fora do livro...A expressão «Prisioneiros do Progresso» caracterizava (e reflecte!) todos os conteúdos da obra. Assim sendo, ficou para título...e até agora tem sido bem acolhido.

 

Apresente-nos um dos textos publicados no livro...

 

«INSENSIBILIDADE» (página 85)

 

Que seres são esses?

Que intencionalmente causam a desordem...

A dor...entre a humanidade?

Porquê tanta falta de amor?

 

Uma ganância tamanha

Uma crua desumanidade...

Faz que deixem o seu semelhante morrer de fome

Viver nas ruas à mercê das intempéries...

Porque há entre os seres tanta insensibilidade?

 

SENHOR, é urgente um homem novo...

Com um novo saber...

Um sentimento mais consciente e profundo...

Que saiba amar e respeitar o seu semelhante

Preservar o meio onde vive...

E com as suas acções

Contribuir para o bem do mundo!

 

Comente sobre o momento de escrita deste texto; o que inspirou a sua criação?

Rosa Marques - Os textos que compõem «Prisioneiros do Progresso» são filhos de uma mágoa profunda. Foram escritos ao longo do tempo, como um desabafo... um grito de revolta... contra as injustiças infligidas ao ser humano... por outros seres humanos, seus semelhantes! Desilusão perante a triste realidade que todos os dias entra em nossas casas através da comunicação social. O sofrimento causado pelas guerras e pelos atentados, a tragédia dos incêndios, etc. Tristeza por ver que a Humanidade caminha para um inevitável abismo... caso não haja uma mudança a curto prazo, que repare os danos já causados...em todos os aspectos. É necessário travar a destruição do Planeta, valorizar o ser humano... e não tanto o materialismo, as tecnologias. Vivemos numa época em que existem já muitos conhecimentos, e também a consciência de que estamos a agir mal... numa época em que algo mais pode e deve ser feito para minorar o sofrimento da Humanidade...para construir um mundo mais justo para nós, e para as gerações vindouras.

 

O que diferencia «Prisioneiros do Progresso» de seu primeiro livro de poesias «Mar em Mim»?

Rosa Marques - «Mar em Mim» enaltece a beleza das duas ilhas, Madeira e Porto Santo, onde nasci e sempre vivi... fala do belo! «Prisioneiros do Progresso» fala do mundo em geral, de uma dolorosa realidade que todos nós sabemos que existe. Mas o tema da desigualdade social já tinha sido abordado no primeiro livro... nos poemas «Abandono», «Escola Pobre», «Ao Acaso», «Um Mundo Melhor», «Um Novo Amanhecer», «Carta ao Pai Natal», etc. Porque esta foi sempre uma preocupação minha, e será sempre! Actualmente, valoriza-se o materialismo, as aparências... mais do que o ser humano. Perderam-se os bons valores, a humanidade... As sociedades tornaram-se individualistas e isso gerou egoísmo, violência, insensibilidade entre os seres. Esta desumanização conduz à insegurança, ao medo, à solidão...o pior dos males.

 

Onde podemos comprar os seus livros?

Rosa Marques - Quem os desejar adquirir, pode pedir-me por mensagem privada, através da minha página do Facebook, que tem o nome Maria Correia, ou por email (rccorreiamarques@gmail.com). Mas também os pode solicitar directamente à Edições Sui Generis( http://letras-suigeneris.blogspot.com ). Além disso, estão à venda na livraria online Euedito (https://www.euedito.com/suigeneris), na Libros.cc (https://libros.cc) e na Amazon (www.amazon.com). Em Porto Santo, está à venda na Loja do Profeta.

 

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Rosa Marques - Gosto de escrever, e actualmente sinto necessidade de o fazer. A escrita é para mim um bálsamo... uma forma de liberdade... e ao mesmo tempo uma completude da qual já não saberia abdicar. Editar os meus livros, «Mar em Mim» e «Prisioneiros do Progresso», participar em antologias e revistas literárias, partilhar conhecimentos e afectos, com pessoas de diferentes culturas, tem sido uma experiência enriquecedora que não tem preço. Espero continuar a escrever... explorando e aperfeiçoando esta área... aprendendo sempre mais. No entanto, conto editar, ainda neste ano, um livro para crianças, que há muito está escrito. E também um livro de contos... este sem data definida ainda, mas já entreguei os dois à editora. A Sui Generis já está a cuidar da publicação de ambos.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Rosa Marques. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para os nossos leitores?

Rosa Marques - Aos mais jovens, aconselho que reservem algum tempo para ler, e não se deixem escravizar pelas tecnologias, de forma a criar dependência. Que façam da leitura um hábito de vida... porque há nos livros todo um saber que não se aprende nas escolas, nem no nosso dia-a-dia. Ler um bom livro é uma experiência individual que permite dar asas à imaginação, sendo muito enriquecedora a nível pessoal.

Em relação à situação do mundo... acredito que apenas com a participação de todos será possível mudar o mundo para melhor. Aprendendo e ensinando as novas gerações a valorizar a vida, a parte espiritual e humanitária, a preservar o meio ambiente onde vivemos, a respeitar e amar a NATUREZA, fonte de todo o equilíbrio. Por pequena que seja a contribuição de cada um, ela será sempre valiosa; em conjunto formará um todo, e tornar-se-á grande e útil a toda a Humanidade.

Para terminar, deixo uma frase de François de Mauriac, que coloquei no meu livro: «De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra.» É uma pequena frase, mas diz muito... faz-nos reflectir.

 

 

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