Na Cruz - por José Sepulveda

Na Cruz

Naquela rude cruz, tu, pendurado
Como qualquer proscrito ou malfeitor,
Soltavas para o céu um triste brado
Sozinho, abandonado em estertor.

Como era triste! O povo,  desvairado,
Gritando "à morte, à morte!" num clamor,
Estava enraivecido, enfeitiçado,
Alheio a qualquer brado, a qualquer dor

E aqueles teus amigos do Jordão
Estão absortos entre a multidão
Calados, quer te açoitem, quer te vazem   

E tu, num sofrimento atroz, imundo,
Ao Pai suplicas num sofrer profundo:
-Perdoa-lhes, não sabem o que fazem!

 

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